domingo, 27 de fevereiro de 2011


“Quando a gente se abre mais, o outro vê fundo.
... E o fundo é quase sempre escuro e assusta.”


... e assim,aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. a moça - que não era Capitu, mas também tem olhos de ressaca - levanta e segue em frente. não por ser forte, e sim pelo contrário...por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. e ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.

"Tem gente que paga para ir numa montanha russa. eu gasto uma fortuna na terapia pra conseguir sair dela."

Eu estou tão cansada de assustar as pessoas. E de ser o máximo por tão pouco tempo. E de entregar tanta alma de bandeja pra tanta gente que não quer ou não sabe querer.
Mas hoje eu não odeio nenhuma dessas pessoas. E hoje eu não me odeio. Hoje eu só fecho os olhos e lembro de você me pedindo sem graça para eu não deixar ninguém ocupar o lugar da minha canga. Tudo o que eu mais queria, por trás de todos esses meus textos tão modernos, sarcásticos e malandros, era de alguém que me pedisse para guardar o lugar.
Tá guardado. O da canga e de todo o resto.

"eu fico triste, mas o coração disparou tanto que quase não parece tristeza.
as coisas que sinto quase nunca parecem as que temos oficializadas em dicionários."

"A pessoa ter estragado meu mês eu perdoo.
Mas ter estragado todas as músicas do meu ipod não dá .. tudo o que é bonito agora dói."

E eu, como estava dizendo, sempre quis ser dessas mulheres imperfuráveis, inatingíveis, inaudíveis e incompreensíveis. Mas nunca consegui. Quando vou ver, já contei minha vida pra primeira pessoa que me deu um pouco de atenção. Já tô rindo alto no restaurante porque não me controlei e fiquei feliz demais. Já escrevi um texto sobre o fulaninho da terça passada… E quando vou ver, lá se foi a mulher misteriosa que eu gostaria tanto de ser. Porque eu jamais poderia ser uma.

Algumas coisas não servem mais. Você sabe. Chega. Porque guardar roupa velha dentro da gaveta é como ocupar o coração com alguém que não lhe serve. Perca de espaço, tempo, paciência e sentimento. Tem tanta gente interessante por aí querendo entrar. Deixa. Deixa entrar: na vida, no coração, na cabeça.

"eu só queria que chegasse um e-mail seu, ou melhor: que você chegasse ao vivo ... me traz você, por favor, me traz e leva embora todas essas coisas chatas que só servem para ocupar minhas horas enquanto você não chega."

"Que haja amor e menos covardia nas nossas escolhas... Senhor, escutai as nossas preces. Amém."

(Cecília Braga)